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Ministério Público diz que prefeitura interditou CT do Flamengo

 

Em entrevista coletiva na sede do Ministério Público do Rio de Janeiro, a promotora de Justiça Ana Cristina Huth Macedo afirmou que, após vistoria durante a semana no CT Ninho do Urubu, no Flamengo, novas irregularidades foram constatadas pela fiscalização. O local estaria interditado pela prefeitura.

– Nessa reunião prévia, a prefeitura disse que o CT está interditado. Bem como os Bombeiros disseram, diante das irregularidades apontadas. No mais, o que podemos dizer é que esses novos laudos que foram elaborados a partir das fiscalizações realizadas na terça-feira foram encaminhados para a secretaria de urbanismo, que provavelmente adotará alguma providência. Segundo o que a prefeitura informou aqui, o CT está interditado – disse a promotora.

“Enquanto essas irregularidades não forem sanadas, enquanto não atender essas demandas, o CT não pode funcionar”

Ana Cristina Huth Macedo durante a entrevista coletiva — Foto: Raphael Zarko/GloboEsporte.com

Ana Cristina Huth Macedo durante a entrevista coletiva — Foto: Raphael Zarko/GloboEsporte.com

No entanto, não havia ninguém da prefeitura presente no momento da coletiva, apenas na reunião que antecedeu a entrevista. Durante o encontro, houve esse pedido da prefeitura ao Flamengo para que o clube fechasse completamente o CT enquanto não cumprisse as exigências.

A reunião contou também com a presença do Ministério Público do Estado do Rio de Janeiro (MPRJ); o Ministério Público do Trabalho (MPT); a Defensoria Pública do Estado do Rio de Janeiro (DPRJ); o Governo do Estado do Rio de Janeiro, por meio da Secretaria de Polícia Civil, do Corpo de Bombeiros e da Defesa Civil e de representantes Flamengo.

– Essas vistorias de terça-feira foram na seara médica, bem como estrutural, engenheiros e arquitetos. Foram verificadas irregularidades. Posso dizer que nenhuma irregularidade que não seja passível de ser sanada em pouco tempo. A maior delas, mas que o Flamengo se comprometeu a resolver, é de questões médicas. Nós entendemos que um CT desse porte demanda uma ambulância pronta a prestar um socorro imediato, seja aos adolescentes da base ou os profissionais – prosseguiu a promotora Ana Cristina.

Alex Bolsas, da Superintendência do Trabalho, explicou que foi encontrado quadros elétricos em situações precárias na parte antiga do CT.

– Três quadros elétricos com risco de choque e por consequência de incêndios. Portanto foram interditados. Não só nos alojamentos, mas na escola, que foi desativada, e nos locais de funcionários – disse Alex Bolsas.

Flamengo se pronuncia

Rodrigo Dunshee de Abranches, vice-jurídico do Flamengo, compareceu à entrevista coletiva. Foi a primeira vez, desde o incêndio, que alguém da diretoria rubro-negra foi interpelado pelos jornalistas. Porém, não durou muito. Após pronunciamento inicial, o advogado se irritou com as perguntas e se retirou do local, encerrando a entrevista coletiva.

Rodrigo Dunshee de Abranches durante a coletiva — Foto: Raphael Zarko

Rodrigo Dunshee de Abranches durante a coletiva — Foto: Raphael Zarko

Dunshee de Abranches deu as seguintes declarações:

– A reunião aqui foi excelente. Algumas medidas foram solicitadas. O Flamengo está voltando todo seu empenho nessas questões administrativas. E a gente entende que em um curto prazo tudo estará resolvido.

– Quero esclarecer antes de mais nada que eu sou vice-presidente jurídico do Flamengo há 30 dias antes desse lamentável acidente. Estamos tomando conhecimento de um ato administrativo, vai sentar para deliberar o que fazer ou não. A alçada de deliberação desses assuntos é o conselho diretor, formado por 16 vice-presidentes e o presidente, isso vai acontecer na segunda-feira.

– Eu não posso falar da gestão passada, mas posso garantir que o Flamengo tem interesse em atender sempre qualquer requisição das autoridades. A gente está tomando conhecimento principal dessa questão agora, acho que não seria justo exigir dessa gestão já a deliberação imediata de todas as questões.

Por que o CT não foi interditado em 2017?

– Uma decisão administrativa cabe recurso. Se eu quiser recorrer, eu vou recorrer. Estou no prazo para fazer certas coisas. Só acho que essa questão de licença é colateral. O que a gente tem de importante, o risco hoje em dia… Nós temos campos de futebol que não oferecem risco a ninguém. Então assim, as crianças não podem ir lá. Realmente está precisando melhorar muitas coisas, eu entendo.

O que a gestão passada fez?

– O Flamengo não vai ser irresponsável de falar aqui sobre questões que estão sub júdice. Não estou aqui para dizer detalhes da investigação.

Na sequência, houve perguntas ao mesmo tempo. Dunshee de Abranches se irritou com a forma da abordagem, se levantou e foi embora.

O incêndio no Ninho do Urubu aconteceu na sexta-feira passada (08). Dez garotos morreram e outros três ficaram feridos. Destes, dois já receberam alta do hospital – Cauan e Francisco Dyogo – e um segue internado – Jontahan.

Fonte: G1.com

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