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Chuvas, raios, trovões e até ciclone atingem Bahia neste fim de semana

outono chegou e, com ele, as chuvas mais intensas já começam a dar as caras por toda a Bahia. Segundo a previsão do Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet), o cenário não deve melhorar neste fim de semana. Pelo contrário: a promessa é de raios e trovões assim como aconteceu durante a madrugada deste sábado (23) em Salvador. 

De acordo com o instituto, a expectativa é que Salvador e Região Metropolitana sejam atingidas por chuvas fortes e muita ventania. O mesmo cenário deve ser observado no sul do estado, que pode ser atingido por um ciclone tropical entre este sábado (23) e domingo (24), de acordo com informações do Inmet.

Essa situação deve ocorrer, segundo o instituto, “devido à formação de um sistema de baixa pressão atmosférica de forte intensidade no litoral sul da Bahia e norte do Espírito Santo, bem como o aumento da temperatura das águas do oceano atlântico”.

Os ventos podem chegar até mais de 100 km/h, com ondas de até 4 metros. O Inmet informou que o ciclone pode vir do Espírito Santo.

Ao CORREIO, a meteorologista Cláudia Valéria da Silva, do Inmet, disse que o outono é a estação em que mais ocorrem chuvas intensas com trovoadas na capital, Região Metropolitana e no Recôncavo da Bahia. No restante do estado, é mais comum que os raios apareçam no verão.

Segundo a especialista, as descargas elétricas ocorrem quando “há o desenvolvimento de nuvens de espessura vertical, comuns em regiões mais quentes que favorecem esse desenvolvimento de nuvens mais pesadas. Além disso, quando tem disponibilidade de maior energia na atmosfera, essa energia é otimizada no processo da formação da nuvem, mas também favorece as descargas elétricas”, afirmou.

Segundo o Grupo de Eletricidade Atmosférica – Inpe (Elat), grupo de eletricidade atmosférica do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe), Salvador tem índice de concentração de raios baixo: 1,3 por quilômetro quadrado por ano (média calculada com base em dados de 2011 a 2017).

O Elat considera alto índice acima de 5 raios por quilômetro quadrado/ano. As últimas mortes registradas na capital por conta de quedas de raio foram na década passada: em 2003 (um óbito), 2004 (dois) e 2006 (dois).

Neste Verão, ainda de acordo com o Elat, houve a incidência de 20 raios nuvem-solo (descargas atmosféricas que tocam o solo) em Salvador, e “no verão passado houve o registro de aproximadamente a mesma quantidade de raios no município”.

Na Bahia, que teve neste verão incidência de 200 mil raios contra 600 mil na mesma estação de 2018, a incidência de raios se dá mais na região oeste. A cidade que lidera a incidência é Cocos, com 5,7 raios por quilômetro quadrado/ano.

Com 18 mil habitantes, Cocos é também o único município cujas incidências de raio são consideradas altas, mas outras cidades da mesma região não ficam muito longe, como Santa Rita de Cássia (4,7), Jaborandi (4,4), Buritirama (4,3) e Paratinga (4,3).

Coordenador do Elat, o pesquisador Osmar Pinto Junior disse que não há uma razão específica para Cocos liderar os índices, “mas o oeste da Bahia é a região do estado com maior incidência devido a sua proximidade com a região central do país”.

Diminuição de raios na Bahia
Sobre a diminuição dos raios na Bahia entre o verão de 2019 e o de 2018, o pesquisador disse que isso ocorreu devido ao fenômeno climático El Niño, que causa alteração no movimento das massas de ar e influência na ocorrência de tempestades.

Em Cocos, os raios são causadores de transtornos diversos, como perda de equipamentos elétricos, sobretudo computadores e modens de internet, e queimadas, conforme relatos de moradores.

O vereador João Paulo Leão Pinheiro (PT), de Cocos, por pouco não perdeu o pai, Moisés da Rocha Ribeiro, 65, semana passada, após raios atingirem uma propriedade vizinha, na zona rural de Santa Maria da Vitória.

“Um raio abriu um fogo na mata de uma propriedade vizinha, ele foi tentar apagar junto com moradores e caiu outro raio a uns 400 metros de onde ele estava. Ele sentiu a descarga, ficou com as pernas sem força e ainda sente uma quentura de dentro pra fora do corpo. Está bem, só não sai mais na chuva, gerou um trauma”, disse.

O radialista Ivan Alves, apresentador do programa Repórter Meio Dia, na Cocos FM, disse que os raios sempre fazem estragos na cidade. Alves também é dono de uma loja de informática, e falou que no Verão passado vendeu mais de 50 modens de internet.

“Tudo para reposição porque queimou durante as chuvas com raios, sobre os quais sempre falo no programa do rádio, para as pessoas terem mais consciência, se precaverem mais”, comentou.

“Mas dificilmente numa cidade como a nossa se pode conter isso de uma forma preventiva como deveria. O problema maior é a estrutura local com cabos de vários provedores de internet, cabos de telefonia, um verdadeiro emaranhado de cabos de cobre nos postes que atraem sempre os raios”, acrescentou.

Alves informou que nunca teve problemas na rádio ou em casa. “Na rádio, mesmo, colocamos um para-raios que custou R$ 5.500. Só assim para não queimar tudo, mas nem todo mundo pode fazer esse investimento”, disse.

Foto: Divulgação

Qual a diferença entre relâmpagos, raios e trovões?
Segundo o Elat/Inpe, relâmpagos são todas as descargas elétricas geradas por nuvens de tempestades, que se conectam ou não ao solo. Já os raios são somente as descargas que se conectam ao solo. Trovão é o som produzido pelo rápido aquecimento e expansão do ar na região da atmosfera onde a corrente elétrica do raio circula.

Mitos e verdades sobre raios e trovões 
Os raios e os trovões aparecem com constância nos mitos das civilizações do passado. Profetas, sábios, escribas e feiticeiros os interpretavam como manifestações divinas, considerados principalmente como reação de ira contra as atitudes dos homens.

Nas mãos de heróis mitológicos e de divindades eram utilizados como lanças, martelos, bumerangues, flechas ou setas para castigar e perseguir os homens pecadores.

Bumerangue
Há mais de cinco mil anos, os babilônicos acreditavam que o deus Adad carregava um bumerangue em uma de suas mãos. O objeto lançado provocava o trovão. Na outra mão, empunhava uma lança. Quando arremessada produzia os raios.

Castigo dos deuses
Para os antigos gregos, os raios eram lanças produzidas pelos gigantes Ciclopes, criaturas de um olho só. Elas eram feitas para que Zeus, o rei dos deuses, as atirasse sobre os homens pecadores e arrogantes. Como a mitologia grega foi migrada e adaptada à romana, a interpretação dada aos raios não sofreu muita alteração entre os romanos.

Alvo ou proteção?
Acreditava-se que havia árvores que atraíam raios, enquanto outras as repeliam. O grande deus romano, Júpiter, tinha como símbolo o carvalho, árvore alta e majestosa, constantemente atingida por raios. Por outro lado, acreditava-se no poder de proteção do loureiro, arbusto também encontrado na região do Mediterrâneo, cujos ramos e folhagens eram utilizados sobre a cabeça de imperadores e generais romanos.

Sinos contra raios
Outra crença muito difundida na Europa Medieval dizia que o badalar dos sinos das igrejas durante as tempestades afastaria os raios. A superstição perdurou por muito tempo. Muitos campanários de igreja foram atingidos e mais de uma centena de tocadores de sino foram mortos acreditando em tal ideia. A superstição perdeu força somente no início do século XVIII.

Amuletos de proteção
Outra crença popular considerava a pedra-de-raio um talismã para proteção pessoal e de residências entre povos europeus, asiáticos e americanos. No nordeste brasileiro, a pedra-de-raio é conhecida até hoje como pedra-de-corisco, por influência dos portugueses do século XVI.

A pedra seria trazida pelo raio, cuja força meteórica a enterraria. A origem de tal superstição está baseada na falsa ideia de que um local não pode ser atingido duas vezes pelo mesmo raio, mas a explicação para a origem destas ideias pode estar relacionada com achados de utensílios e armas de pedra polida de povos mais antigos.

Sabe-se que os etruscos e, mais tarde, os romanos da antiguidade usavam a pedra (pontas de flechas e de martelos) em colares como amuleto. Ficavam à mostra no pescoço, mas também eram colocadas nas casas e no telhado com o intuito de ficar a salvo dos raios.

Na Bahia, os escravos africanos acreditavam que a pedra-santa-bárbara, como chamavam a pedra-de-raio, desprendia-se da atmosfera durante as tempestades. Ela teria poderes curativos e por isso era utilizada em preparos de remédios para diversas doenças.

Espelho atrai raios?
Não. A crença surgiu na época em que os espelhos tinham grandes molduras metálicas – elas, sim, um grande atrativo para os raios. Não há necessidade de cobrir espelhos durante uma tempestade.

Um raio não atinge duas vezes o mesmo local?
Também é mentira. Uma prova disso é o Cristo Redentor, no Rio de Janeiro, que recebe cerca de seis raios por ano.

Quais cuidados devem ser tomados quando ocorrem raios e/ou trovões com muita intensidade? 
O Elat/Inpe orienta a não sair para a rua ou não permanecer na rua durante as tempestades, a não ser que seja absolutamente necessário.

Veja alguns cuidados:
Deve-se procurar abrigo em carros não conversíveis, ônibus ou outros veículos metálicos não conversíveis; em moradias ou prédios, de preferência que possuam proteção contra raios; em abrigos subterrâneos, tais como metrôs ou túneis, em grandes construções com estruturas metálicas, ou em barcos ou navios metálicos fechados.

Caso esteja dentro de casa, evite usar telefone com fio ou celular ligado à rede elétrica (utilize telefones sem fio); ficar próximo de tomadas e canos, janelas e portas metálicas; e tocar em qualquer equipamento elétrico ligado à energia.

Evite também lugares que possam oferecer pouca ou nenhuma proteção contra raios, como pequenas construções não protegidas (celeiros, tendas ou barracos), veículos sem capota (tratores, motocicletas ou bicicletas) e estacionar o veículo próximo a árvores ou linhas de energia elétrica.

É preciso também evitar locais que são extremamente perigosos durante uma tempestade, como topos de morros ou cordilheiras; topos de prédios; áreas abertas, campos de futebol ou golfe; estacionamentos abertos e quadras de tênis; proximidade de cercas de arame, varais metálicos, linhas aéreas e trilhos; proximidade de árvores isoladas; estruturas altas como torres, linhas telefônicas e linhas de energia elétrica.

Se você estiver em um local sem abrigo próximo e sentir que seus pelos estão arrepiados ou que sua pele começou a coçar, fique atento, já que isto pode indicar a proximidade de um raio que está prestes a cair. Neste caso, ajoelhe-se e curve-se para frente, colocando suas mãos nos joelhos e sua cabeça entre eles. Não fique deitado.

 

Fonte: Correio24h

 

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