Home / Destaques / Projeto que proíbe arrastão na Quarta de Cinzas desagrada soteropolitanos

Projeto que proíbe arrastão na Quarta de Cinzas desagrada soteropolitanos

Aprovado pela Câmara Municipal de Salvador na última quarta-feira, 11, o Projeto de Lei (PL) 45/16 que proíbe o tradicional arrastão na Quarta-feira de Cinzas já é alvo de polêmica entre os soteropolitanos. De autoria do vereador Henrique Carballal (PV-BA), o PL utiliza o argumento religioso para impredir os festejos.

Entretanto, o projeto ainda não é efetivo, pois caberá ao prefeito ACM Neto decidir, em um prazo de 15 dias, se o texto será vetado ou não. Caso seja sancionado, já poderá ser aplicado no Carnaval de 2020.

Nesta segunda-feira, 16, o Portal A TARDE foi às ruas para saber da população sobre a possível proibição do arrastão. Entre as 20 pessoas entrevistadas, a opinião é que o projeto desagrada: 14 foram contra, 2 a favor  e quatro se abstiveram.

Acostumada a frequentar o Carnaval, a vendedora Adriele Miranda, de 34 anos, é uma das que não concorda com o documento aprovado na Câmara. Para ela, o evento é benéfico, pois diverte e traz lucro à cidade.

“Vou para o Carnaval, mas nunca fui para o arrastão. É muita gente e também tiro o dia para descansar. Mas se tivesse a oportunidade eu iria. Acho que se é lucro para a cidade, não deveria acabar”, afirma.

Apesar de não frequentar a folia, a estudante Carine Souza, 21, também é a favor de manter a tradição do arrastão. Segundo ela, o argumento de que a festa interfere nas celebrações da Quaresma não deveria servir como motivação.

“Não vou para o carnaval, mas sou contra esta proibição, pois, a religião não pode interferir na vida de ninguém. O Brasil é um estado laico. Não concordo”, opina.

A estudante Carine Souza discorda de proibição com base em argumento religioso
A estudante Carine Souza discorda de proibição com base em argumento religioso

Contradições

Amigas de longas datas e frequentadoras da festa de Momo, a pedagoga Ana Cristina Alencar, 40, e a gestora de Recursos Humanos Márcia Batista, 37, possuem pontos de vista diferentes sobre o assunto.

Para Ana Cristina, o arrastão no circuito Barra-Ondina prejudica a tradição do Carnaval antigo que terminava no Campo Grande. Ela ainda ressalta que o calendário da folia já é bastante prolongado, algo que também foi pontuado por outro entrevistado.

“Eu concordo em acabar o arrastão, por que acho que a tradição deveria ser só até a terça-feira, com o encontro de trios na Castro Alves, como sempre teve. Essa tradição do Campo Grande está acabando, tudo está se concentrando na Barra. Devido a isso, deve começar e terminar lá. O Carnaval já começa antecipado, pois temos dias a mais. Até a terça-feira, está bom”, pondera.

A pedagoga Ana Cristina Alencar é a favor de uma possível proibição
A pedagoga Ana Cristina Alencar é a favor de uma possível proibição

Embora concorde com a ideia de que a cidade deveria manter as tradições no centro, por outro lado, Márcia diz que o povo ‘sentiria falta’ do arrastão. Fã do evento desde a sua primeira edição em 1995, a gestora de Recursos Humanos sugere que o ele seja realizado na circuito do Campo Grande, até para facilitar a volta para casa, que, segundo ela, é mais difícil na Barra.

“Sou contra a proibição. Gosto de Carnaval e, como uma boa baiana, sinto uma pontinha de saudade quando acaba. Então, o arrastão para mim é muito bom. Só gostaria que tirassem da Barra e colocassem na Avenida. Na Barra tem também a dificuldade maior de ir embora. Mas por mim era o mês todo de Carnaval. Vou para todos os arrastões, desde o primeiro com Carlinhos Brown, no chão. Se tirar, vai ficar aquele vazio, né? Vai fazer falta!”, afirma.

A gestora Márcia acredita que o arrastão não deve ser proibido, e sim, mudar para o Centro
A gestora Márcia acredita que o arrastão não deve ser proibido, e sim, mudar para o Centro

História

Criado em 1995 pelo cantor Carlinhos Brown, o arrastão era voltado principalmente às pessoas que trabalhavam na folia, com o intuito de que pudessem aproveitar após a festa.

Nos seus 24 anos de existência, a festa, realizada no circuito Barra-Ondina, foi além dos trabalhadores e reuniu milhares de foliões que não queriam se despedir do Carnaval.

Comandado por diversos artistas como o próprio Brown, Daniela Mercury e Ivete Sangalo, este ano, a animação ficou a cargo dos cantores Léo Santana e Danniel Vieira.

Até o momento, o prefeito ACM Neto não emitiu qualquer tipo de decisão pelo veto ou sanção do documento.

Veja também

Bahia tenta façanha inédita no Nordestão

Em busca do quarto título da Copa do Nordeste, o Bahia entra em campo nesta terça-feira, contra …

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *