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Projeto leva mutirão artístico para cooperativa de reciclagem em Lauro de Freitas

A Cooperativa dos Catadores Agentes Ecológicos de Lauro de Freitas, localizada na Região Metropolitana de Salvador (RMS), recebe neste sábado, 14, o evento ‘Pimp Nossa Cooperativa 2019’, iniciativa que busca desde 2012 tirar catadores e catadoras de materiais recicláveis da invisibilidade. A ação, que é promovida pelo projeto Pimp My Carroça, tem como objetivo promover o acesso à arte e a integração entre os catadores e suas famílias, além de realizar melhorias na cooperativa. A entrada para o evento é gratuita.

Segundo Carolina Pires, coordenadora do Pimp My Carroça, a ideia central do projeto é promover um mutirão de melhorias e pintura das cooperativas de reciclagem. “Convidamos artistas visuais que, por meio do graffiti, chamam a atenção para o importante trabalho realizado pelos catadores e catadoras”, afirma.

A programação contará com oficinas de stencil, com Ramses Stencil, canto de leitura, atendimento nutricional, apresentações, espetáculo teatral, entre outras atividades. Ao todo, serão 13 artistas visuais, como Prisk, Vidal, Monique, Srta.as e Finho, que pintarão os muros da cooperativa (confira programação completa abaixo). O íntuito, de acordo com Carolina Pires, é constituir uma exposição a céu aberto.

‘O graffiti e a arte de coletar lixos, pois considero uma arte. O catador tem a capacidade de criar em cima de algo que já está pronto, que já foi utilizado. Eles transformam e reutilizam materiais. A presença do graffiti em galpões, cooperativas, meios de transporte para este pessoal influencia em cor, motivação, vontade de transformar o seu ambiente, o graffiti só tem a influenciar positivamente na atividade deles. É uma junção muito interessante”, avalia a grafiteira Ananda Santana, conhecida como ‘Srt.as’.

Srta.as também comentou as suas expectativas para o evento deste sábado. “Em 2016, participei da Pimp My Carroça. Foi algo muito inspirador e importante para mim enquanto artista de rua. O pessoal vibrava com nosso trabalho, fazíamos o que era solicitado em suas carroças. Saí de lá renovada. Espero que sábado essa sensação de renovação, felicidade e satisfação seja ainda maior, iremos colorir ainda mais um espaço de muita renovação, um espaço especial, estou muito ansiosa”.

Visibilidade

A coordenadora do projeto também destacou a importância dos catadores de material reciclável e explicou o objetivo da ONG. “Cerca de 90% do que é coletado no País é feito pelos catadores de material reciclável. Ou seja, eles são responsáveis pela nossa gestão de resíduos e não são reconhecidos pelo poder público, são marginalizados. O Pimp My Carroça surge para dar voz e visibilidade para essa galera, que faz acontecer a gestão de resíduos no Brasil e no mundo”.

Além disso, Carolina Pires afirmou ainda que a arte pode ser uma visibilidade. “Nas carroças mesmo, nós pintamos frases motivacionais, como ‘não buzine, dê bom dia!’, e as pessoas passam a ler e entender que aquilo é um trabalho, uma prestação de serviços. Muitos catadores ficavam envergonhados de trabalhar na cooperativa pelo preconceito que existe quando falam que lidam com lixo. Quando a gente pinta a fachada, pinta o espaço e aumenta a autoestima deles.

O Pimp Nossa Cooperativa é um projeto de revitalização das cooperativas de reciclagem. A iniciativa promove as pinturas de murais artísticos por artistas visuais atuantes na região, além de programação cultural gratuita para os cooperados e suas famílias. O projeto é uma realização do Ministério da Cidadania, com patrocínio da Novelis, por meio da Lei Rouanet.

O Projeto

O Pimp My Carroça trabalha desde 2012 para tirar catadores de materiais recicláveis da invisibilidade por meio da arte, sensibilização, engajamento e participação coletiva.

“Desde 2009, o artista ‘Mundano’, um grafiteiro que pintava as ruas, e sempre encontrava catadores. Ele começou a pintar a carroça deles. Em 2012, ele começou a fazer um mutirão para atender catadores no centro de São Paulo. Foi feito um financiamento coletivo, e a gente atendeu quase 40 catadores, com atendimentos de saúde e bem-estar. Percebemos que a arte dá visibilidade para eles, e que as pessoas passam a respeitar mais. Desde então, o movimento não parou. Em 2016 nos tornamos uma ONG e começamos a tocar vários projetos”, explica Carolina,

Até o momento, já foram beneficiados 1.706 catadores, com a participação de 1.055 artistas, 2.243 voluntários em cerca de 50 cidades de 14 países diferentes, como Bogotá (Colômbia), Casa Blanca (Marrocos), Nova Iorque (EUA), Lima (Peru), Pristina (Kosovo), Recife (Pernambuco), Manaus (AM) Belo Horizonte (MG), São Paulo (SP), Brasília (DF), Salvador (BA) e Curitiba (PR), entre outros.

 

Fonte: A Tarde

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