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História das Ganhadeiras de Itapuã inspira projeto pedagógico do Centro de Educação Djalma Ramos

A felicidade como experiência da busca identitária de crianças negras. Esta é a essência do Centro Municipal de Educação Infantil Dr. Djalma Ramos (CMEI) para desenvolver projetos pedagógicos na unidade escolar. Na última sexta-feira (18), em Vida Nova, o Centro recebeu a visita de mulheres do grupo As Ganhadeiras de Itapuã, que conheceram cada sala de aula e outros espaços que retratam suas histórias.

Neste ano, o corpo docente do Djalma Ramos desenvolve um projeto intitulado: Um Amor Chamado… As Ganhadeiras. O trabalho feito com crianças de zero a cinco anos promove, ao longo do ano letivo, atividades com narrativas das histórias de resistência e ancestralidade, por meio de uma concepção de educação decolonial e antirracista, com o intuito de aproximar os pequenos estudantes das personalidades que compõem o grupo formado por mulheres Ganhadeiras de Itapuã.

Segundo a coordenadora pedagógica do CMEI, Fátima Santos, a ideia não é somente trabalhar a perspectiva antirracista, inclusive porque o ensino de cultura e história afro e indígena já está no currículo da Rede Municipal de Educação de Lauro de Freitas. “A partir desse projeto, as crianças têm produzido escrevivências que se referem a obra das Ganhadeiras de Itapuã. Elas fortalecem as marcas identitária como elementos explicativos de suas raízes”, afirma.

O Djalma Ramos produziu um espaço da unidade para ser o museu das Ganhadeiras de Itapuã, com imagens, textos e artefatos. Para Maria Dias, presidente da Associação das Ganhadeiras de Itapuã, a unidade escolar superou suas expectativas. “É uma felicidade ver crianças tão pequenas envolvidas em um projeto que resgata parte da história da Bahia. As professoras, que para mim também são ganhadeiras porque elas estão trabalhando aqui com amor e para ganhar o seu dinheiro, são maravilhosas com esse projeto”, destacou.

O sentimento de valorização ainda continuou com o grupo de Itapuã quando estudantes do Djalma Ramos fizeram apresentações. O grupo do Reino Wakanda, composto por crianças de cinco anos (G5), referenciaram a cor do cabelo com a negritude e história das ganhadeiras. O Quilombo do Quingoma (G4) retratou a resistência do trabalho de lavagem de roupas. Com uma música do Ilê Aiyê, o Quilombo dos Palmares (G3) ressaltou a itinerância de pertencimento da beleza da mulher negra. No Centro de Educação, as salas dos grupos de alunos recebem um nome de acordo a temática do projeto anual.

Sobre as Ganhadeiras

As Ganhadeiras de Itapuã relatam suas experiências de vida através do canto e samba. Elas representam a própria história contemporânea e de outras mulheres do século XIX que construíram a economia do país por meio do trabalho de vendas de água, coco, acarajé e outros produtos, além do ganho da lavagem de roupas, para a compra de cartas de alforria na época. Atualmente o grupo é composto por 45 pessoas de várias gerações e será tema do samba-enredo da escola Unidos do Viradouro no Carnaval do Rio de Janeiro de 2020.

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